Empreendedorismo Social
1. Enquadramento Teórico
Para compreendermos o que é o Empreendedorismo Social, é de salientar que se deve abordar primeiramente, o conceito de empreendedorismo.
Trata-se de um “processo dinâmico que envolve a tomada ponderada de riscos, a criatividade e inovação e um comportamento pautado por ações orientadas para o crescimento sustentável (Jesus, 2014).
Este fenómeno pode estar relacionado com a criação de novos negócios, mas também para fins sociais ou corporativos.
1.1. Empreendedorismo
Segundo Dees (2001, cit. por Jesus, 2014) o conceito de Empreendedorismo tem vindo a ampliar-se nos últimos anos. Desde há 50 anos é objeto de estudo de interesse científico; o mesmo não é novo.
Segundo o mesmo autor, o conceito de empreendedor, identificava um indivíduo com espírito aventureiro e capaz de estimular o progresso económico, através do encontro de novas e melhores maneiras de fazer as coisas.
Para Moura (2013, cit. por Jesus, 2014), empreender é “ser ativamente responsável”. Responsável num contexto de risco e incerteza, da qual experienciamos. É enfrentar os desafios da realidade com espirito de iniciativa, através de fatores-chave como, o crescimento e o desenvolvimento socioeconómico.
Existem assim algumas características essenciais para o sucesso de um empreendedor que passamos a citar: relativas à realização: identificar oportunidades e tomar iniciativa; correr riscos calculados; exigir qualidade e eficiência; ser persistente e ser comprometido; relativas ao planeamento: procurar informações; estabelecer metas; planear e monitorizar de forma sistemática e por fim, relativas ao poder: ter capacidade de persuasão e rede de contactos; ser independente e autoconfiante.
Existem ainda, diferentes formas de empreendedorismo que vamos passar a citar de seguida: o empreendedorismo por necessidade; o empreendedorismo ético; o empreendedorismo familiar; o empreendedorismo tecnológico; o empreendedorismo social e por fim, o intra-empreendedorismo.
1.2. Empreendedorismo Social
O Empreendedorismo Social procura soluções inovadoras e sustentáveis para problemas sociais em situações em que o próprio governo e a sociedade não conseguem intervir (…) o empreendedor social carateriza-se pela sua persistência e proatividade na resolução de problemas sociais indo ao encontro da missão social das organizações onde está inserido (Carvalho, Bernardo, Sousa & Negas, 2014).
De acordo, com Reis (1999, cit. por Félix, Alves & Sirghi, 2012), do ponto de vista global, o empreendedorismo social pode reunir um conjunto de atividade inovadoras na sua forma lucrativa (investimentos sociais e comerciais), na sua forma não lucrativa, ou em formas mistas (formadas por abordagens não lucrativas e lucrativas em simultâneo). De um ponto de vista mais restrito, o empreendedorismo social diz respeito ao fenómeno de aplicação de conhecimento de competências de mercado no setor social, ou seja, uma organização sem fins lucrativos.
Uma iniciativa de Empreendedorismo Social deve demonstrar quatro critérios base: a resolução de problemas sociais/ambientais negligenciados (missão social/ambiental); o potencial de transformação positiva na sociedade a nível social/ambiental (impacto social/ambiental); desafiar a visão tradicional e utilizar modelos de negócio inovadores (inovação) e por fim, o potencial de crescerem e/ou se replicarem noutro local geográfico (escalabilidade/replicabilidade).[1]
1.3. Caraterísticas do Empreendedorismo Social
O Empreendedorismo Social é um novo paradigma de intervenção social, pois demonstra uma nova abordagem e leitura da integração e relação entre os vários atores e segmentos da sociedade; é um processo de gestão social que se estrutura como uma cadeia sucessiva e ordenada de ações, que podem ser resumidas em três fases: a conceção da ideia; institucionalização e maturação da ideia e a multiplicação da ideia; é uma arte e uma ciência - uma arte, na medida em que cada empreendedor aplica as suas competências na elaboração do processo de Empreendedorismo Social; uma ciência, pois recorre a procedimentos técnicos e científicos para ler, planear, elaborar e agir sobre/nas dinâmicas humanas e sociais; é uma nova tecnologia social, onde a capacidade de inovação e de empreender, faz gerar outras ações que afetam o processo de gestão social, deixando de lado a sua visão assistencialista, mas valorizando a emancipadora e transformadora; é um indutor de auto-organização social, pois não se constitui como uma ação isolada, mas como uma ação que necessita da articulação e participação constantes da sociedade para se institucionalizar e apresentar resultados que respondam às necessidades da população diagnosticadas e por fim, a principal característica é a possível multiplicação da ideia ou ação (Melo Neto & Froes, 2002, cit. por Jesus, 2014).
1.4. Áreas de Intervenção
Parente et al. (2012, cit. por Jesus, 2014), tendo como referência abordagens de outros investigadores, consideram como áreas privilegiadas de intervenção através do Empreendedorismo Social: a demografia (associada ao aumento da esperança média de vida); a diminuição da natalidade; a promoção de um envelhecimento ativo; a saúde (através da luta contra a fome e à subnutrição); os recursos financeiros, através do acesso ao microcrédito e incentivo ao Empreendedorismo; a cultural, com o desenvolvimento de atividades culturais; laboral, no combate ao desemprego.
2. Enquadramento Empírico
Após, termos analisado referenciais teóricos que abordam questões sobre o empreendedorismo e o empreendedorismo social, consideramos que a nossa OSFL pode criar estratégias empreendedoras com base nos princípios da democracia, da participação e do empowerment e ao mesmo tempo prevenir e intervir junto de minorias étnicas no âmbito da educação sexual e dos cuidados básicos de higiene.
O Empreendedorismo Social pode ser uma estratégia a adotar dentro da nossa OSFL pois a atual e difícil conjuntura obriga-nos a criar ideias inovadoras para prosseguirmos positivamente numa carreira pessoal e profissional. Poderá implicar, a tomada de consciência de que há processos diferentes de gerir organizações e que é uma forma de desenvolver projetos e soluções que visem transformar a sociedade, nomeadamente, o público com quem vamos trabalhar.
O Empreendedorismo Social é, assim uma mais valia numa OSFL, uma vez que ultrapassamos um período de crise e vemo-nos obrigados a ser empreendedores e a investir em atividades profissionais, de cariz empreendedor, e neste caso de âmbito social.
Neste sentido, consideramos que criar um gabinete de apoio junto de minorias étnicas seria uma ideia empreendedora. A criação deste gabinete teria como finalidade compreender melhor as suas rotinas diárias, no que diz respeito aos cuidados de higiene e vida sexual.
A elaboração de entrevistas semiestruturadas ou questionários irão ajudar-nos no levantamento das principais lacunas e necessidades em que poderemos intervir.
Referências Bibliográficas:
- Carvalho, L. C.; Bernardo, M. R. M.; Sousa, I. D. & Negas, M. C. (2014). Gestão das Organizações: Uma abordagem integrada e prospetiva. Lisboa: Edições Sílabo.;
- Félix, S.; Alves, L. & Sirghi, V. (2012). Manual de Empreendedorismo Social: Uma abordagem sistémica. Editora: AIRO. pp.13-19.;
- IES-Social Business School. Acedido em: https://www.ies-sbs.org/ies/conhecimento/empreendedorismo-social/. Consultado a 13 de abril de 2015.
- Jesus, A. F. S. R. (2014). O papel do empreendedorismo social no terceiro setor: Uma nova solução no domínio da Alzheimer na Região Autónoma da Madeira? Dissertação de Mestrado em Economia Social. Universidade do Minho: Escola de Economia e Gestão.
[1] https://www.ies-sbs.org/ies/conhecimento/empreendedorismo-social/